Nem sempre é fácil lidar com tantos sentimentos... Cada coisa resulta num estímulo bombástico. Todas as coisas povoam os meus pensamentos e nem eu me ajudo: leio, escuto... Na verdade, eu existo.
Será que é assim com todo mundo? Como a gente faz pra desligar um pouco? E como a gente não entra em colapso por desligar? As pessoas agem como se nada estivesse fora do lugar. Talvez não exista nada fora do lugar. Será que eu exagero?
Será que é normal mesmo a violência policial? Torturar (!!!)? Será que não é mais de causar espanto a linguagem que exclui? As pessoas gostam mesmo de big brother sem sequer imaginar o problema social que gerou a idéia do “grande irmão”? Eu morro de medo dessa invasão. Ouvir concret jungle, na versão da Céu, é maravilhoso, mas não dá pra esquecer o gibi do Chico Bento: onde o papa capim e um menininho da cidade trocam de ambiente... O quê anestesia as pessoas? Eu também vou ficar assim? É assustador, mas é como a Pati disse “é claro que eles matam gorilas, eles matam seres humanos”. Gente! Os gorilas não fizeram nada! E é pela exploração do subsolo africano que e posso escrever nesse computador.
E eu sei de Deus, mas não deixo de me assustar, e isso me assusta muito. A fé não é suficiente, mas tenho medo dela ser suficiente e já não ser eu. De ter esquecido que as pessoas têm vergonha de amar. As pessoas têm vergonha dos seus medos, dos fracassos... Isso eu até entendo, mas a maioria tem mais medo do seu próprio brilho... Ai. Eu me pergunto: pra onde eu corro?
Queria dar um abraço nas pessoas que já desacreditaram. Queria mesmo. Aconchegar, todas as pessoas que estão com frio, sede, de carinho. Queria muito entender todos os idiomas. Sentir todas as dores, mas ainda não agüento. E pra fundir com o universo? Será que é mesmo essa alegria que eu imagino? Acho que sim. Quando eu me sinto muito confusa, me imagino assim, indo em direção ao espaço... Mas e se for ter mais consciência? (...) Definitivamente, sei que existe um propósito, mas não entendo quase nada dele. Será que eu posso? Ao mesmo tempo, sei mais do que eu digo não saber, e isso é muito estranho. Eu já sei várias das respostas, mas, agora, não quero saber. As pessoas podem me perdoar? Elas podem ser menos ingênuas ou menos hipócritas e se permitir também?
Sei que isso tudo é mais falta de paciência. Eu sei, mesmo. Mas ainda sou muito humana e isso dói até. Nem queria esquecer. Queria mesmo pessoas que me dissessem: calma, tudo vai ficar bem. Eu te entendo. Eu sinto o mesmo. E isso, quando acontece, é um toque de calor bem forte. É lindo.
O triste é escrever isso tudo, pra desabafar, pra dizer que sou humana e tenho muitos defeitos, mas que também tenho qualidades e a maioria das pessoas, sem entender, julgando, bobas. Sem “só” olhar pra coisas. Só olhar. Como elas são. Sem esses julgamentos retrógrados, demagogos, limitantes, pobres. Quem será que se esforça? Eu tento tanto! Sabe, repensar essas coisas. Não que eu consiga, mas eu tento. Sinto tanta falta de aprender isso. Falta de pessoas me chamando a atenção por me preocupar com maquiagem. “risque outro fósforo, outra vida, outra luz, outra cor!”!
Pra onde estamos caminhando? Ninguém me perguntou isso nos últimos meses. Ninguém.
Por favor, parem de matar as raposas e de usar animais como objetos! Por favor. Por favor. Isso me faz chorar. Será que é tão invisível assim? Se é, porque eu vi? Por que eu sofro tanto com isso? Tanta gente, tantas crianças perdidas em guerras. Meu Deus, é tão árido. É muito medo. E elas estão lá. Agora. Ai. Mas ninguém quer ouvir sobre o trabalho escravo na China, todo mundo só pensa no tênis da nike!!!! Nike???????????? Alguém já se perguntou o que é isso? Quando compraram esse tênis se perguntaram se ele causa escravidão de seres humanos? Não quero dizer que não podemos consumir, mas será que dá pra sair dessa apatia?
Não é pra enlouquecer com todas as coisas, mas compartilhar essas preocupações. Sei que ficaria muito mais leve para cada um. Será que dá pra olhar pros lados? Como disse a Aneli, será que dá pra sorrir? Será que podemos olhar para os outros seres? Será que podemos sonhar? Por favor, precisamos sonhar. Urgentemente.